sexta-feira, 1 de março de 2019

OKARA POÉTICA - Um longo percurso...


Tínhamos uma inquietação pulsante em nossos jovens corações, uma vontade de saber mais sobre nós e o mundo, tudo girava em torno das perguntas elementares, Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? O que é ser brasileiro?

O Projeto Okara Poética começou lá na zona sul de São Paulo por volta de 2010, com uma vontade imensa de descobrir e compartilhar. Eu não sabia muito bem o quê e nem com quem. Havia muita inquietação em minha mente e em meu coração, quase explodindo de tanta curiosidade e euforia pelos mistérios que pudesse desvendar. Descobrir mais sobre nós mesmos e nossa cultura brasileira e compartilhar as descobertas com quem estivesse a fim. E de repente encontrei mais gente muito afim, com as mesmas inquietações e vontades. A princípio nos tornamos uma dupla e começamos esboçar caminhos e objetivos para essas vontades. Estávamos muito ligados com estudos sobre a cultura indígena e cultura popular brasileira. Escrevi então, um artigo sobre a recente literatura indígena em língua portuguesa que começava a ganhar espaço no meio literário e fiquei fascinada por ela. (Esse artigo foi meu TCC do curso de Letras)

Ao compartilhar vontades e descobertas com mais pessoas afins, em pouco tempo tínhamos um grupo. Éramos então cinco pessoas de diferentes áreas de estudo interessados em saber mais sobre as raízes formadoras da cultura brasileira. Começamos a dar vida ao projeto. Fizemos um sarau inesquecível e começamos a sonhar com novos rumos. Seguimos juntos por algum tempo, até que infelizmente o grupo se separou. Novas vontades e inquietações surgiram nos corações de cada um e novos caminhos também. Mas pra mim o Okara era algo muito mais forte que um projeto, algo que até hoje tenho dificuldade de explicar em palavras, algo que sinto pulsar intensamente em meu coração e que precisa acontecer. Então guardei-o no peito para que voltasse a vida quando fosse a hora. 

Bem, minha trilha de projetos pessoais trouxe-me para o Litoral Norte de São Paulo e aqui estou desde 2014. Durante o difícil começo de uma nova vida à beira mar, cheguei a pensar que o Okara Poética teria sido só um sonho de juventude, mas os ventos do sul sopraram forte em meu coração e reacenderam a vontade de descobrir e compartilhar tudo de novo. E foi assim que em 2017 retomei as trilhas da literatura. Retomei os estudos sobre a literatura indígena (que a essa altura já estava sendo chamada de textualidades inndígenas), que me levaram para os caminhos das narrativas ancestrais e do fascínio que nós seres humanos temos pela ficção, pelas histórias, pela manifestação da palavra. A poesia sempre fez parte da minha vida e hoje é um dos mais fortes motivos para me manter de pé e seguir em frente. “Sempre em frente” me disse o poeta...

Portanto, eis me aqui. Levantando a Okara Poética novamente! A-ho!

As pessoas têm me perguntado, mas o que é Okara Poética afinal?  Bem, aprendi há muitos anos atrás que Ocara (okara) é uma palavra que em tupi-guarani significa o centro da aldeia, onde se realizam as manifestações, as festas, os ritos, o lugar daquilo que é comum, público, te todos sem exceção! (Em oposição a Oca (oka), que seria um espaço mais ou menos reservado). O que seria equivalente em português a palavra praça. Mas descobri recentemente que os gregos, por incrível que pareça, também tinham uma palavra que representava a mesma ideia: Ágora. Incrível, não? 

Pra mim ficou marcado desde o início essa ideia de um espaço coletivo para o fruir da poética! E isso não saiu da minha cabeça e daí vieram as outras ideias. Adorei essa palavra, para mim é como um chamado e hoje faço dela meu território, meu lugar, minha aldeia, onde convido a todos para brincar de poesia comigo. \o/

Sendo assim, Okara Poética torna-se um lugar, físico ou não, para nossas manifestações, onde os diversos tipos narrativas e celebração da palavra ganham voz e luz, emanando e compartilhando a poética que habita em nós. 

Este blog é só um ponto de encontro para orientarmos nossas bússolas e seguirmos juntos nas trilhas da literatura e das fruições e curas que ela é capaz de nos trazer. Aqui, compartilho leituras, vivências literárias, fruições artísticas e convites para atividades culturais. A ideia é sempre incentivar a leitura e fomentar a curiosidade pela leitura e pelas nossas culturas. Sejam todos e todas muito bem vindos (as)!

Viva a poesia! Viva a literatura! Viva essa vontade nossa de ir além e buscar algo a mais!

A-ho!

Karina Guedes

@okarapoetica

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

poema: QUANDO ÁRVORE

Das raízes que se entrelaçam
às folhas que se desfazem

Dos solos que nos sugam
aos ventos que nos levam

Afloram sentidos mais profundos,
desabrochando liberdades do ser

Ente que se reconhece no outro,
bicho estranho que se entrega

Sem questionar a razão que o faz estar aqui
tão liberto em mim...

Ramificamos nossa essência!

Se sou ele ou ele sou eu,
não importa a traço

Enquanto estado de trocas,
dispensamos as formas convencionais

Nos construímos enquanto um novo
se desfazendo do que pensávamos ser

Em verdade sempre estivemos ali
Existindo... distante no mesmo espaço
Um no outro e o outro num

Transcendências!

(Karina Guedes - fevereiro/2016)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Insistência, vontade e continuidade...

Novas trilhas, novos caminhos, novos horizontes. A busca continua e a inquietação não cessa. Talvez a pergunta não seja mais "quem somos?", mas "como somos?". Talvez não interesse tanto saber para onde vamos, mas sim onde estamos? Nesse exato momento, onde estamos? 

Bora descobrir tudo de novo!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

TrAnS fOrM aÇõEs

Olá pessoal,

Estamos metamorfoseando nosso blog. Em breve novidades!

Inté e axé.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

REFLEXÕES SOBRE POESIA na Oakara Poética.

@okarapoetica

O que é poesia?


Foi com esse questionamento que iniciei minhas reflexões enquanto imaginava o que poderia ser a Okara Poética. Bem, são muitas as definições para o que pode ser a poesia e acredito que quem se envolve com a fruição artística ou estudos literários, com o tempo acaba criando sua própria noção e entendimento sobre o que é a poesia.

Penso cá com meus botões que poesia são os sentidos, seja das coisas, do mundo, de nós e do outro. É o sentir e criar-se a partir dessa percepção do que está além dos olhos ou da superficialidade do olhar. Graças a capacidade única do ser humano de simbolizar e criar significados, somos agraciados com a experiência poética. . Nenhuma outra espécie tem esse privilégio, até onde sabemos. 

Através dos símbolos conseguimos comunicar o que é indizível, dialogar com o inconsciente e inventar universos inteiros. Como se uma força existente dentro de nós estivesse ali pronta para sair, e ao nos aventurarmos nas diversas linguagens deixamos transbordar sentimentos, emoções, pensamentos, ideias e tantas outras coisas. Graças a essa poética que emana de nós, somos capazes de criar várias formas de poesia. O poema, cantado ou escrito, é uma delas. E existem tantas outras...E assim criamos formas e conteúdos, que carregam inconscientemente (ou não) uma ordem para nosso caos interior.

Essa poética que trazemos em nossos genes, em nosso inconsciente, se manifesta plenamente na infância e às vezes adormece na vida adulta, mas está lá em nossa essência. Precisamos mantê-la viva e pulsante em nós. Os cantos, as danças, pinturas, rituais, enfim todas as fruições artísticas nos colocam em contato com  nossos mais íntimos sentidos. E assim,  evocamos a poética e exalamos por todo nosso corpo vivente essa essência ancestral.

Portanto a vontade da Okara Poética é  de se colocar como espaço, um lugar, físico ou não, para as manifestações  dessa poética que habita em nós.


Sejam bem vindos!


Karina Guedes

sábado, 17 de março de 2012

1º ENCONTRO DOS OKAREIROS EM 2012


Ideias, inquietações, sonhos e arte. Andamos por aí, nos alimentando, nos fortificando. Mas precisamos nos encontrar, trocar, somar para frutificar toda essa vontade de arte que existe em nós.

Sábado, 17 de março, no Centro Cultural São Paulo, às 19H30.

Inté e axé!

domingo, 30 de maio de 2010

poema:ANDARILHO

Muitos anos
Tantas moradas
De todos os lugares para onde migrei
Dentro de mim a viagem mais profunda
A cada migração um novo olhar
A cada migração uma nova condição
A cada migração uma nova pessoa
Diante do espelho, reflexos
Do que se vê
De como se vê
Não há como fugir
Diante do espelho que mostra
Aos olhos a ilusão do que sou
Nada mais que uma pessoa
No vai e vem da transformação do ser


(Karina Guedes  - maio/ 2010)