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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

PÃO E ÁGUA

primeiro proibiram os saraus
disseram que a Poesia era algo inútil
depois eliminaram a Filosofia dos currículos escolares
pensar já não era necessário
por fim, queimaram páginas e mais páginas da História
e pouco a pouco destruiram tudo o que poderia ser chamado
de essência humana

hoje

alguns dizem que a Ignorância é uma benção
e outros dizem, Amém!


(Karina Guedes - Agosto/2019)

domingo, 1 de dezembro de 2019

QUANDO EXPLORAÇÃO

sob as ancas, joelhos, panturrilhas e tornozelos
todo o peso do caminho
trabalha, trabalha, trabalha

padecer do corpo, o preço da sobrevivência
na mente estafada, a sobrecarga dos anos
carrega, carrega, carrega,

cansaço que denuncia o cúmulo da servidão
nos sonhos, um sono profundo
aguenta, aguenta, aguenta

transpassa ossos, músculos e tendões
dói a alma
luta, luta, luta

a morte servida em jornadas semanais
sufoca a transcendência
resiste, resiste, resiste!

Escuto uma voz...

Não morra!
o prazo de validade ainda não venceu
e o contrato ainda não acabou

Não morra!
poque senão esse teu prejuízo
será em parte meu

Não morra ainda,
afinal o propósito da minha vida
é lucrar com a tua


(Karina Guedes - maio/2019)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

poema: QUANDO ÁRVORE

Das raízes que se entrelaçam
às folhas que se desfazem

Dos solos que nos sugam
aos ventos que nos levam

Afloram sentidos mais profundos,
desabrochando liberdades do ser

Ente que se reconhece no outro,
bicho estranho que se entrega

Sem questionar a razão que o faz estar aqui
tão liberto em mim...

Ramificamos nossa essência!

Se sou ele ou ele sou eu,
não importa a traço

Enquanto estado de trocas,
dispensamos as formas convencionais

Nos construímos enquanto um novo
se desfazendo do que pensávamos ser

Em verdade sempre estivemos ali
Existindo... distante no mesmo espaço
Um no outro e o outro num

Transcendências!

(Karina Guedes - fevereiro/2016)

domingo, 30 de maio de 2010

poema:ANDARILHO

Muitos anos
Tantas moradas
De todos os lugares para onde migrei
Dentro de mim a viagem mais profunda
A cada migração um novo olhar
A cada migração uma nova condição
A cada migração uma nova pessoa
Diante do espelho, reflexos
Do que se vê
De como se vê
Não há como fugir
Diante do espelho que mostra
Aos olhos a ilusão do que sou
Nada mais que uma pessoa
No vai e vem da transformação do ser


(Karina Guedes  - maio/ 2010)